sábado, 27 de novembro de 2010

Uma Aula de História e Filosofia

Por Mário Luna (Cinema & Consciência)

Para aqueles que estão correndo atrás do tempo perdido e querendo acelerar a sua erudição, a minisérie O Mundo de Sofia é uma oportunidade muito boa para saber mais sobre História e Filosofia, com uma compilação de fatos importantes, divisores de água no curso da história humana.

O livro homônimo do escritor norueguês Jostein Gaarden (se pronuncia "iostain gôdan"), que também trabalha no filme, foi best seller em muitos países, tenho vendido mais de 20 milhões de cópias e sido traduzido para mais de 40 idiomas. A minisérie faz uma bela jornada pela história da Filosofia, com um resumo das características de cada época e as idéias dos seus pensadores.  O empreendimento de Gaarden se faz numa linguagem fácil, afetiva e entusiasmada, com uma forma de comunicação que contagia a cada episódio, tal é a profulsão de informação importante narrada para os amantes também das biografias.

Com uma visão acessível dos fatos, O Mundo de Sofia é Filosofia e História para consumo imediato e apresenta uma narrativa dentro de conceitos muito claros. A ideía de superficialidade, como muitos críticos notam, não parece interferir na qualidade da informação passada, pois, na obra, o espectador compartilha o sentido de nossa existência com bom senso e prudência moral filosófica. As evidências abrangem os conhecimentos fundamentados sob uma organização sensata, numa sequência de ensinamentos guiados para a conduta lógica, sem desnortear o espectador nem drenar as sinapses de sua percepção racional.


A lista de pensadores e fases importantes da História é farta e muito educativa. Jostein Gaarden optou inicialmente pela utilização do pensamento mitológico, para que os espectadores pudessem compreender os processos naturais do pensamento filosófico, fazendo uma ponte com uma cultura da intelectualidade atualizada, como, por exemplo, através de crenças e superstições, o que seria uma via comum para a assimilação e a adoção de um paradigma. Em O Mundo de Sofia, vemos os filósofos da natureza, também conhecidos como pré-socráticos, que começaram a pensar o mundo da época. O principal deles foi Demócrito, com sua teoria do átomo. Após o surgimento de tal teoria sobre a natureza do mundo, os primeiros filosófos interessados em explorar a natureza do homem surgiram, ampliando o estudo da relação do homem com o mundo e a melhor forma de bem viver, dando origem ao pensamento ético e moral baseado na razão.



O primeiro grande filósofo grego, como todos sabem,  foi Sócrates. Sócrates preocupou-se em descobrir e depois ensinar as pessoas que o verdadeiro conhecimento vem de dentro e só este pode lhe fornecer o discernimento necessário para a vida. Isso só era possível, entretanto, através do emprego da maior faculdade do Homem: a razão. Platão foi o responsável pelo registro do pensamento socrático, realizado através de seus diálogos, preservando a retórica na escrita. Suas principais preocupações giravam em torno daquilo que seria eterno e imutável, a origem de todas as coisas que vemos e como podemos defini-las quando as observamos. Da academia de Platão surgiu o terceiro e último grande filósofo da Antigüidade: Aristóteles. Grande cientista, pesquisador de várias áreas do saber, não só o da filosofia, ele foi um dos fundadores da pesquisa empírica e da noção de classificação natural de espécie, sendo seus moldes a base do desenvolvimento e separação das ciências como as conhecemos ainda hoje. Já na época de Aristóteles, o império grego começara a se desfazer ante o avanço do império macedônio de Alexandre Magno. Filosoficamente, várias ramificações do pensamento socrático e platônico ocuparam seu devido espaço na procura de uma concepção humana de vida.

O Renascimento foi a realização de uma retomada do humanismo grego, sendo, entretanto, uma de suas principais características o individualismo. Isso ocorreu devido a mudança da concepção da natureza da vida humana e a própria visão deste do mundo e de si mesmo: começou-se a medir o mundo através dos conhecimentos e da experiência real do ser. A partir desta nova visão de mundo, pouco tempo depois surgiram teorias e formas de se viver opostas irreconciliáveis. O século XVII é conhecido como período Barroco, pois as formas não são mais suaves, e sim, opulentas e agressivas, cheias de contrastes, o que exteriorizava as tensões do consciente mundial da época.


Em virtude destes acontecimentos nasce René Descartes, responsável pela reunião do pensamento contemporâneo num único e coerente sistema filosófico. O otimismo cultural era reinante nesta época, pois todos acreditavam que seria uma questão de tempo para que a irracionalidade não mais desempenha-se uma força tão vital em relação ao Homem, ao mesmo tempo que buscavam uma religião natural − esta religião estaria em contato com a estrutura natural do ser. A última grande época de desenvolvimento humano, que veio logo após o Iluminismo, foi o Romantismo, já que depois apareceram novas teorias e concepções de mundo em campos distintos do conhecimento: Marx na economia, Darwin na biologia, Freud na psicologia.

Dentre os filósofos românticos o de maior destaque foi Hegel. Contribui para a concepção de que existem verdades maiores que a razão humana e a filosofia, portanto, não poderia ser desvinculada da época a qual se desenvolveu, tendo então, todo pensamento, um contexto histórico. Desenvolveu a teoria de tese, antítese e síntese, provando sua teoria do dinamismo da razão humana. No mesmo tempo em que se desenvolvia o pensamento de Marx, crescia na Europa uma corrente científica conhecida com Naturalismo, tendo como seu principal representante a figura de Charles Darwin. Darwin propôs a teoria da Evolução das Espécies.

A partir dessa breve apresentação de alguns fatos da história mostrados em O Mundo de Sofia, espero ter aguçado a sua curiosidade para comparecer ao Cine Clube neste domingo, às 20:30h. Bom filme!

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