por Mário Luna (Cinema & Consciência)
Clássico americano de 1950, Sunset Boulevard (título original) é o nome da rua homônima que liga Los Angeles a Bervelly Hills. Um dos melhores representantes dos filmes noir, Crepúsculo dos Deuses, com a direção de Billy Wilder, traz um elenco notável. Além de astros como William Holden e Gloria Swanson nos papéis principais, o filme desfila uma galeria de celebridades. O lendário diretor de épicos Cecil B. DeMille e a colunista Hedda Hopper interpretam a si mesmos; Buster Keaton, H. B. Warner e Anna Q. Nilsson, estrelas do cinema mudo, têm participações especiais. Considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente significante" pela Biblioteca do Congresso estadunidense em 1989, Crepúsculo dos Deuses foi incluído no primeiro grupo de filmes selecionados para preservação pela Secretaria Nacional de Cinema. Ganhou 3 dos 11 Oscar que disputou.
O filme conta a história de um roteirista que está fugindo dos credores e acaba se escondendo na casa de antiga estrela do cinema mudo, que resolve contratá-lo para revisar o roteiro que marcará seu retorno às telas. O plot por trás da sinopse indica que o alvo de Crepúsculo dos Deuses é a indústria cinematográfica americana da época. Um dos maiores clássicos de sempre, o filme traz uma visão nada animadora da própria indústria, que cria e mata as suas estrelas num piscar de olhos. Em Crepúsculo, Norma Desmond, antiga glória do cinema mudo, vive na amargura e no esquecimento, isolada numa velha mansão, e obcecada com o regresso às luzes da ribalta. Na verdade, o filme é biográfico. Glória Swanson foi uma estrela do cinema mudo e que, tal como a sua personagem em Crepúsculo, passou as mesmas dificuldades na transição para o sonoro, além de experimentar as dores reais do desprezo. Outros atores do cinema mudo, que participaram do filme, estavam eles mesmos já devidamente arrumados nas prateleiras de Hollywood na época.
Crepúsculo dos Deuses é um dos mais negros dos film-noir, muito por juntar fatos reais com fictícios. O filme venceu por fim as desconfianças dos produtores de que seria um escândalo maior do que o que veio a ser por criticar duramente os princícios da indústria. Durante a produção o filme se chamou A Can of Beans (Uma Lata de Feijões). 50 anos depois de sua realização o filme parece tão atual, pois a índole da indústria segue com seus preceitos de marketing não raramente cruéis, renovando muitas vezes o que não deve ser renovado e criando novidades piores do que o que havia antes. Por isso e por toda a sua história, Crepúsculo dos Deuses é um filme imperdível.


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