Premonições é um filme ousado. Talvez por esperar que o espectador esteja atento e orientado o suficiente para não se perder na série vertiginosa de projeções premonitórias da personagem principal, a atriz Sandra Bullock, e suas idas e vindas entre duas dimensões. Ousado também por ser o trabalho de estréia do diretor alemão, Mennan Yapo, cuja coragem de encarar a realização de uma obra parapsíquica não convencional seja um sinal do seu futuro promissor no gênero.
Apesar de um roteiro no limite do orgânico e de muitos críticos julgá-lo, obviamente, confuso, o filme se supera a cada cena de forma racional, sem exageros apelativos, principalmente no que toca fazer um filme parapsiquico para o público amante do sobrenatural, e constitui um valioso exemplar didático para pesquisadores e estudantes da projeção lúcida da consciência. O filme não chega a ser um misterioso quebra-cabeça, com inúmeras possibilidades de interpretação, mas tem a sua parcela de culpa ao tentar flertar com a insanidade de muitos espectadores desavisados, que desde as primeiras cenas se vêem envolvidos na espiral casuística da personagem central.
Na sua classificação, Premonições é um filme de suspense, ou melhor, de suspense-inteligente. Mas podemos esperar bem mais do que isso. Ao tratar da projetabilidade lúcida, o interesse passa a ser o da pesquisa projetiva, com base na ciência, o que pode render um bom debate após a sessão. O filme nos mantém no lado racional da realidade multidimensional em que a estória transita, porque ele passa longe dos assombros fantasmagóricos característicos de filmes formatados para provocar medo, um fator muitas vezes lamentável em temas que merecem toda seriedade. Obviamente, há sobressaltos e uma sonoplastia mal intencionada em assustar, mas nada de fantasminhas desfigurados rangendo dentes, nem menininhas de camisola se debatendo numa cama, vertendo impropérios contra Cristo. A maior vantagem de Premonições é que o filme se mantém sóbrio e dentro do possível até a última cena.


Eu sou suspeito para dizer, mas, esse filme merece ser visto, realmente...E sem ter lido a sinopse nem nada fica melhor ainda. Sem dúvidas!
ResponderExcluir